Educação é coisa séria

Servidora aposentada reflete sobre a urgência em se valorizar a educação.

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A servidora aposentada, Marlene Ramos, tem uma antiga paixão: a educação. Antes de passar 17 anos atuando na Justiça Trabalhista, foi professora por três décadas. E por ser algo em que acredita, aos 82 anos continua a refletir sobre o tema por meio de textos críticos com o intuito de engrossar o coro dos que vêem a educação como ferramenta de transformação social.

Formada em Letras na cidade de Goiânia (GO), lecionou em escolas públicas e privadas, inclusive foi diretora escolar por 19 anos. Mas o início foi bem antes, ainda aos 16 anos, quando foi incentivada por uma freira a dar aulas para crianças na cidade natural de Mineiros (GO).

A paixão é tamanha que, até mesmo, inspirou a neta Carla Patrícia a cursar pedagogia. “Parece que a única coisa mesmo que me completa é educação, é minha paixão. Qualquer pessoa que queira que eu ensine algo eu ajudo, porque educação é tudo para mim”, disse.

A longa jornada como educadora é marcada por um orgulho palpável: ex-alunos hoje trilham caminhos diversos como médicos, juízes e advogados. Ao se aposentar das salas de aula, decidiu dar um novo rumo à vida profissional e prestou o concurso para o Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10). Um tempo depois, foi cedida ao TST e por lá se aposentou.

“No século passado eu achei que tinha cumprido a minha missão de educadora, mas havia me enganado. Mas não é por isso que vamos desanimar, a gente tem que criticar para construir. Por isso, escrevo”.

Confira o artigo na íntegra:

A educação é coisa séria

Desde o século passado pensei que havia cumprido minha missão de educadora, mas errei. Reformas hoje, reformas amanhã e tudo continua o mesmo caos.

Passaram por mim e por outros educadores: crianças de todas as idades, raças e religiões e também adultos de todos os sexos e classes sociais. Víamos no progresso de cada um o reflexo do trabalho árduo dos professores, dos pais de família, que nos entregaram a sublime missão de instruir e educar.

Uns se tornaram médicos, advogados, professores, pais de família honrados e ou até políticos que só pensavam em si mesmos. A idealização das reformas foi boa, mas a aplicação foi descontínua e incorreta. Cada político queria mostrar que sua tentativa de mudança era a melhor. Eis o círculo vicioso que poderia ser chamado de retroativo.

Aos educadores coube apenas a missão quase impossível de mudar a situação sem que houvesse a continuidade do que lhes era proposto. Se houvesse continuidade na execução das propostas dos formadores de opinião, a educação não seria tão atingida pela “pandemia” e a aprendizagem não teria sido tão massacrada.

A educação fraqueja não é de hoje: professores mal formados, mal pagos, alunos sem o mínimo necessário para melhorar a aprendizagem e as verbas para a educação cada vez mais reduzidas. Quantas vezes no passado professores trabalhavam a semana inteira e nos dias de descanso confeccionavam trabalhos manuais para pagarem a ida e a vinda para as escolas (o governo atrasava o pagamento – isso era normal e aceitável).

Ainda há tempo para se construir tudo aquilo que deveria ser feito, mas há necessidade de planejamento conjunto, de parceria e boa vontade da sociedade como um todo para a execução daquilo que se propuser, porque se ficar apenas no papel, poderá ser no futuro comparável ao lixo que não se reciclou ou aquele filme que foi interrompido antes do final.

Tudo o que está acontecendo é consequência da má gestão e do desejo de certos administradores de se apropriarem dos recursos e das verbas que pertencem a todos. Educadores paupérrimos pagam grande parte do que recebem à Receita Federal, lutam para sobreviver, porque a mísera quantia que recebiam foi gasta em empréstimos a perder de vista. Professores imploram aos canais de televisão a oportunidade de participarem de um programa de perguntas e respostas que lhes possibilitem conseguir alguns reais para pagarem suas dívidas ou custear o próprio funeral, porque a família seguiu a mesma profissão.

Agora, falemos dos mais importantes na cadeia da aprendizagem: os alunos, as vítimas de toda a injustiça. As grandes porcentagens são de lares desajustados ou de mães solo e sem emprego e que não tem o mínimo para sobreviverem: assistência familiar, social, médica ou alimentar. A merenda escolar é o único alimento diário e deve ser fiscalizada: desde a origem até quando for servida. “Saco vazio não para em pé”.

Há inúmeras maneiras de se conduzir a educação num país como o nosso dependendo da escolha dos responsáveis pela área e do planejamento adequado. A escola deve ser uma fonte de motivação e bem-estar onde todos contribuem para o bem comum. A educação não é jogo político, não é brincadeira, nem desrespeito à população. A educação é o maior bem da humanidade e todos a merecem. Não sejamos seres apáticos, exijamos dos governantes uma Educação mais completa e compatível com o momento em que vivemos.

Há uma infinidade de cursos profissionalizantes que, no primeiro momento, poderiam concorrer para a salvação empregatícia de grande parte dos jovens que sonham com um futuro mais próximo. Exijamos dos administradores um pouco mais de conscientização. Saibam também que o seu voto e o meu voto valem tanto quanto de um milionário ou de um candidato que escolheremos. Os políticos serão eleitos pelo nosso voto e sem ele nenhum deles será o “Salvador da Pátria”, e depois das eleições nós não seremos eleitores esquecidos ou apenas “números” sem valor ou identidade.

O número de jovens sem o ensino médio no Brasil é vergonhoso e cabe a cada um de nós tentarmos mudar essa realidade não com palavras, mas com entusiasmo e motivação. Aconselho aos jovens que lutem para vencer, lutem para conquistar o que merecem: uma educação de qualidade ditada pela Constituição de 1988. Não esperem chegar aos setenta ou oitenta anos para agirem. A hora é agora, O dilema continua: outros políticos se elegeram ou nós os elegemos. A esperança ressurge: a educação renascerá? Os professores e os educadores serão valorizados? Uma coisa é certa: os administradores desta nação compreenderão que não iremos desistir.

Construiremos um mundo melhor para as novas gerações, porque governantes, educadores, pais de família buscarão o que esta nação necessita: instrução e Educação confirmando o lema da bandeira brasileira “ORDEM E PROGRESSO”.

Marlene Ramos.

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A ANAJUSTRA Federal segue atuando de forma firme na defesa da valorização dos servidores de todo o Poder Judiciário da União.

Em reunião com a Associação, nesta quinta-feira, 29/1, o presidente do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministro Vieira de Mello Filho, afirmou que pretende implementar o Adicional de Qualificação de forma quase imediata e também avançar na regulamentação da licença compensatória.

Segundo o ministro, ambas as medidas serão implementadas após o recebimento dos cálculos de impacto orçamentário a serem encaminhados pelos tribunais. Na ocasião, ele reafirmou o compromisso de tratar magistrados e servidores de forma isonômica ao longo de sua gestão.

A ANAJUSTRA Federal acompanha de perto os desdobramentos e reforça seu compromisso com a valorização dos servidores.

Leia a notícia completa no site da ANAJUSTRA Federal
🔗 anajustrafederal.org.br (na bio)

📸 Na foto, o Presidente do CSJT, ministro Vieira de Mello Filho, ao lado da representante e do presidente da ANAJUSTRA Federal, respectivamente, Janedir Lopes Morata (à esquerda) e Antônio Carlos Parente (à direita).

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ESPAÇO CULTURAL | Talento do Judiciário Federal

O servidor aposentado do TRT3 Ricardo dos Reis lançou o CD Acender o escuro, apagar a solidão, já disponível nas principais plataformas digitais.

O álbum reúne canções autorais que transitam entre a MPB e a poesia, abordando temas como afeto, tempo e sensibilidade no cotidiano. Com formação em Letras e Educação Musical, Ricardo une palavra e música em uma trajetória que segue ativa também após a aposentadoria.

📖 Leia a matéria completa no blog Espaço Cultural da ANAJUSTRA Federal.

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