Live PEC 32/2020: “trata-se de um desmonte completo do serviço público”, diz Regina Camargos

Para a estudiosa, a reforma administrativa se fundamenta em teses falaciosas.

Para Regina Camargos, o ponto mais preocupante da proposta diz respeito ao termo subsidiariedade. Confira! - ANAJUSTRA Federal

Para Regina Camargos, o ponto mais preocupante da proposta diz respeito ao termo subsidiariedade. Confira! – ANAJUSTRA Federal

Convidada da live de ontem, 25/5, da série “Reforma administrativa: impactos no serviço público e na sociedade”, a pós-doutora em economia, especialista em relações de trabalho e ex-técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Regina Camargos tratou das implicações da PEC 32/2020 no Estado brasileiro.

Para Regina, o ponto mais preocupante da proposta diz respeito ao termo subsidiariedade. “O papel do estado no provimento dos serviços públicos necessários ao atendimento da população será subsidiário e não o papel central. O Estado deixa de ser o principal provedor, investidor e fornecedor de serviços públicos essenciais para ter um papel subsidiário, ou seja, vai apenas complementar, subsidiário à iniciativa privada.”

“O que se objetiva com essa reforma é transferir para a iniciativa privada todos os serviços que hoje são prestados à população pelo Estado, por exemplo, o SUS”, pontuou.

De acordo com a especialista, as mudanças que serão implementadas pela reforma vão precarizar os serviços públicos. “A reforma administrativa pretende trazer para dentro do Estado a precarização que já existe no mercado de trabalho privado ao criar cinco formas de contratação diferentes do que é originalmente previsto por meio do concurso público”.

Sobre os aspectos econômicos e financeiros da proposta, ela defendeu que a narrativa sobre os gastos excessivos utilizadas pelo governo como fundamento da reforma não é real. “Todo o discurso sobre o gasto excessivo com o funcionalismo público é uma completa fake news. A proposta trata a parte como se fosse o todo. O principal gasto do Estado brasileiro é o financeiro, com juros e amortização da dívida pública brasileira”, ressaltou.

A live na íntegra pode ser vista no IGTV da ANAJUSTRA Federal e no canal do YouTube da entidade.

Assista aqui

Campanha virtual

As lives são parte da grande campanha virtual que a associação tem promovido contra a reforma administrativa. Nas três primeiras, foram entrevistados José Celso Cardoso Jr., doutor em Economia, servidor público federal e presidente da Afipea-Sindical, Fernanda Melchionna, deputada federal pelo PSOL-RS, Thállius Moraes, professor e servidor do Judiciário federal.

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Para José Celso, a proposta é antidemocrática e antidesenvolvimentista. O especialista alertou que a reforma administrativa “vai causar uma imensa desestruturação no serviço público, porque ela acaba com o Regime Jurídico Único (RJU), substitui esse instituto jurídico por cinco tipos de contratos que têm por característica comum serem mais flexíveis para permitir formas de contração mais rápidas e fáceis, mas também formas de demissão mais rápidas e fáceis. Vai haver ainda um rebaixamento remuneratório para os futuros servidores”.

Melchionna também saiu em defesa do serviço público e contra a proposta. “Como titular da CCJC, tenho dedicado meu tempo a tentar obstruir a PEC 32 que não é uma reforma administrativa. Nós poderíamos até debater se é necessário criar mecanismos para melhorar o serviço público e a sua gestão, mas o que nós estamos vendo nessa reforma administrativa é um desmonte do Estado brasileiro, no sentido de criar uma lógica de reforma trabalhista no setor público, criando uma gama de servidores que serão rotativos, com flexibilidade de contratos e, portanto, à mercê da coerção dos chefes e do patrimonialismo na administração pública.”

Thállius acredita que não é necessária uma reforma administrativa nos moldes do texto atual. “Algumas alterações são válidas, mas uma reforma administrativa para fazer uma revolução seria totalmente inviável, é algo que conseguimos comprovar com conceitos jurídicos e exemplos práticos.”

“A reforma abre algumas brechas perigosíssimas, principalmente em âmbito municipal, porque em âmbito federal as coisas são muito mais impessoais, organizadas, a cobrança é maior, mas em âmbito municipal dá para acontecer coisas terríveis”, explicou.

Outras ações da ANAJUSTRA Federal

Na página “Abaixo à PEC 32”, a associação disponibilizou ferramenta de envio de e-mails aos deputados. Nela, o servidor também encontra links para abaixo-assinados contra a proposta; para a enquete da Câmara “Qual a sua opinião sobre a PEC 32?”, que é outra opção para pressionar os congressistas contra as mudanças propostas para o funcionalismo; e para apoio à ideia legislativa que pede da rejeição da reforma.

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A ANAJUSTRA Federal e a Funpresp-Jud convidam você para a live “O preço de não escolher: Previdência e os custos da inércia”.

Quinta-feira, 12/11
19h
Canal da ANAJUSTRA Federal no YouTube

Nosso convidado, o professor e doutor em Finanças Comportamentais Jurandir Sell Macedo, vai mostrar como as mudanças demográficas pressionam a previdência pública e por que confiar que tudo continuará como antes é uma estratégia arriscada.

A conversa vai além do dinheiro: envelhecer bem depende de quatro capitais, o financeiro, o físico, o social e o intelectual. Porque o futuro não começa quando deixamos de trabalhar. Ele é construído, ou negligenciado, nas decisões que tomamos hoje.

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Ao longo de 2026, o calendário da ANAJUSTRA Federal celebra histórias de amizade que nasceram no Judiciário Federal e seguiram muito além do ambiente de trabalho.

Em novembro, conhecemos a história compartilhada por Micheline Moraes Aarão, do TRT-17. @trtespiritosanto 

Em 21 anos de Tribunal, Micheline passou por diferentes unidades, acumulou conhecimentos e construiu amizades que pretende levar para toda a vida. De cada lugar, deixou um pouco de si e carregou muito das pessoas que conheceu.

Uma trajetória marcada por laços que atravessam setores, cidades e fases da vida, mas permanecem unidos pelo carinho. 

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📚 Histórias que merecem ser contadas. E preservadas!

Recebemos com muita alegria um exemplar do livro Memórias da História da Justiça do Trabalho na Paraíba, de autoria do nosso associado Ocino Batista, servidor aposentado do TRT da 13ª Região. @trt13paraiba 

Na obra, Ocino percorre quatro décadas da história da Justiça do Trabalho na Paraíba, resgatando acontecimentos e experiências sob o olhar de quem acompanhou de perto essa trajetória.

E essa história com a literatura não é novidade por aqui! ❤️ Em março de 2021, contamos no nosso blog Espaço Cultural sobre sua estreia como romancista, com A Chegada da prima Vera, uma narrativa ambientada no sertão cearense.

Advogado, escritor e articulista, com publicações em diversos veículos de comunicação, Ocino segue transformando vivências e memórias em literatura.

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👏 Parabéns pela obra, Ocino! E muito obrigado pelo carinho de compartilhar conosco mais esse capítulo da sua trajetória!

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