Aposentados e pensionistas pelo fim do confisco previdenciário
Hoje são eles que enfrentam essa cobrança. Amanhã, muitos de nós estaremos…
Mesa da CDH foi composta por técnicos do Ministério da Economia, pesquisadores, economistas e representantes de entidades da sociedade civil. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019 ainda aguarda os primeiros resultados na Comissão Especial da Câmara dos Deputados. Apesar disso, o Congresso Nacional recebe, nesta semana, diversos debates sobre a Reforma da Previdência em outros colegiados. O primeiro deles ocorreu no Senado Federal, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), ao longo da manhã da segunda-feira, 6/5.
Acesse a página especial da ANAJUSTRA contra a PEC 6/2019
Foram recebidos em audiência pública o diretor de Assuntos Parlamentares do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco-Nacional), George Alex Lima de Souza; o técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Juliano Sander Musse; o diretor do Instituto Fiscal Independente do Senado Federal (IFI-Senado), Rodrigo Octávio Orair; entre outros debatedores.
Argumentos atuariais
Para os palestrantes, a discussão sobre as aposentadorias deveria ocorrer conjuntamente à Reforma Tributária. Dentre as atuais práticas governamentais criticadas, estão isenções fiscais, recorrentes anistias a empresas devedoras e falhas na arrecadação – que para economistas e outros especialistas presentes deveriam ser o foco das mudanças. As soluções defendidas passam por simplificação dos tributos, aumento da progressividade da tributação, redução da tributação sobre a folha de pagamento e ampliação da tributação sobre renda e patrimônio.
“Esse debate sobre o financiamento da previdência e da sua reforma tem duas partes: primeiro, o que é mesmo o tal déficit. A previdência social é financiada por três fontes: trabalhadores, empresas e pelo Estado – que são as contribuições sociais. Então, quando o governo calcula o chamado déficit, ele parte do princípio que a parte dele é sempre zero. Ele soma trabalhadores, soma empregadores e quer com essas duas contribuições pagar todos os benefícios. Se faltou alguma coisa ele chama de déficit. Naturalmente, isso é impossível uma vez que a previdência tem entre suas funções a distribuição de renda”, explicou Flávio Tonelli Vaz, do Diap.
Juliano Sander Musse, do Dieese, também lembrou das dificuldades de arrecadação e do impacto delas nas contas da Seguridade Social. “Falando em renúncias, chama a atenção que, pegando dez anos, as renúncias de contribuições sociais dão um trilhão [de reais em dez anos. Um número similar, é interessante, da conta que o governo faz de economia que ele quer fazer”, ressaltou.
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Musse colocou ainda que o custo de transição para um sistema de capitalização será potencialmente alto para o poder público. “Eu estive conversando a respeito disso no Chile e, de 1981 a 2015, isso representou 136% do PIB [Produto Interno Bruto com custos de transição. Obviamente não vai ser isso no Brasil, mas só fazendo uma projeção, isso daria em torno de 9 trilhões de reais. Então, quer dizer, se economiza pra um lado, mas…”
O lado do governo
“Costumo dizer que essa é uma questão de Estado, não tanto de governo. Quando você fecha o orçamento da União, você vê como é complicado e desafiador. Porque você fecha as despesas, mas não consegue alocar as receitas. Então você tem recursos sobrando em alguns lugares e recursos faltando em outros”, explicou o subsecretário de Assuntos Fiscais da Secretaria Especial da Fazenda, Geraldo Julião Júnior.
Para ele, a DRU é uma ferramenta orçamentária necessária para permitir a alocação dos recursos dentro do orçamento brasileiro. “Mesmo que a gente devolvesse toda a DRU, esse déficit ainda haveria. Só que nós não conseguiríamos fechar o orçamento da União, ou, fecharíamos com uma emissão de títulos muito maior do que o que já temos. Ou seja, nós temos efetivamente um problema estrutural de contas públicas”, colocou.
Ele lembrou os trabalhos da CPI da Previdência, realizada no Senado para auditar a PEC 287/16, e informou que – por indicação do colegiado – o Tribunal de Contas da União (TCU) auditou a forma de cálculo do déficit previdenciário e chegou à conclusão de que as contas são feitas conforme indica a Constituição e as demais leis vigentes.
“Metodologias fiscais, elas são sempre passíveis de aperfeiçoamento. Mas ficou patente no relatório do Tribunal de Contas que o governo segue a legislação vigente. Se a Anfip, por exemplo, acha que não deve colocar tal despesa nos cálculos da seguridade social, ora, a lei assim diz, então temos que mudar a lei. Eu como funcionário público de carreira não tenho discricionariedade nenhuma”, enfatizou.
Agenda
A Comissão Especial da Reforma da Previdência da Câmara dos Deputados deve receber o ministro da Economia, Paulo Guedes, para debater o tema na manhã da próxima quarta-feira, 8/5. O presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PR/AM), não quis marcar data para o encerramento dos trabalhos. A ideia é que o parecer seja apresentado durante a primeira quinzena de junho.
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