STF lança edital para receber propostas sobre modernização da Justiça
Contribuições poderão ser enviadas até 15/8.

Cleuson com a mãe, Glauce, e os irmãos. (Arquivo pessoal)
Na contramão da lógica da idade nenhuma mãe quer enterrar um filho. Mas como não existe uma ordem convencional para que as coisas inesperadas aconteçam, o que ficou para uma família em Campo Grande é a dor que ainda “grita”. Na última semana, um acidente grave de trânsito tirou a vida do educador físico Cleuson Barros Amorim, aos 37 anos. Entre lágrimas e voz apertada, a mãe advogada Glauce de Oliveira Barros conta o que ficou do filho e como os amigos dele têm lhe ajudado a respirar na despedida dolorosa.
ANAJUSTRA Federal manifesta pesar pelo falecimento de Cleuson Barros Amorim
“Quando a gente perde um filho, a dor é tão intensa, que não queremos ouvir qualquer coisa, principalmente se for algo ruim. Mas quando você vê centenas de amigos e conhecidos espontaneamente chegando perto, para uma palavra de conforto e falando bem do seu filho, falando das qualidades que ele tinha, que venciam até mesmo os defeitos, é algo que torna essa dor de mãe menos dolorosa”, descreve Glauce, aos 60 anos.
Cleuson que era chamado entre os amigos como “Barros” e na família como “Mano”, ficou conhecido na cidade por ser um educador físico empenhado em transformar o corpo de seus alunos que tinham o sonho de ficar sarados ou atingir um objetivo no fisiculturismo. Ele que já foi campeão da modalidade, era alguém que se dedicava “incansavelmente”, segundo a mãe, para mudar a vida das pessoas através da atividade física.
“Meu filho era muito amado e muito intenso em tudo o que ele fez. Apaixonado por esportes, iniciou na capoeira, foi professor, formou em Educação Física, foi para São Paulo e chegou a treinar celebridades, foi campeão de fisiculturismo e, recentemente, se tornou um empreendedor”.
A vida de Barros terminou logo depois dele treinar um de seus alunos em uma academia da cidade e dias depois dele inaugurar uma hamburgueria ao lado de um amigo e sócio, na frente do residencial Damha. “Ele estava empolgado e feliz com o empreendimento ao lado do sócio. Apesar de pouco tempo, eles já estavam fazendo sucesso e recebiam muitos elogios. Meu filho não conseguia esconder a emoção”.
Além de não saber esconder as emoções, a marca registrada de Barros, segundo a mãe, era o bom humor. O homem fortão, musculoso, era do tipo que se derretia no colo da família e não tinha “pudor para a gargalhada”, diz Glauce. “Sempre espontâneo, não tinha tempo ruim para a risada. Tudo o que ele fazia era graça e a gente se contagiava com a alegria dele. Sei que sou mãe e suspeita pra falar, mas até os amigos falavam que ele rejuvenescia as pessoas”, comenta.
E além da saudade, o que ficou de Barros é uma lição sobre a vida. “É a alegria dele com a vida. Nada me orgulha mais ao lembrar que ele foi um homem que teve a capacidade de amar intensamente a família e os amigos, de ter afeto pela profissão e os seus alunos. Tudo o que ele fazia era com uma vontade inquestionável”, finaliza.
Barros também deixou um filho de 9 anos.
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