A Amizade que Sustenta a Alma
Por Glauce de Oliveira Barros
![]() Antônio Ernani Pedroso Calhao é pós-doutor em Direito, advogado, professor e servidor aposentado da Justiça do Trabalho. Confira a íntegra do artigo na nova edição da revista ANAJUSTRA em Pauta. |
Por Antônio Ernani Pedroso Calhao
Honra-nos, sobremaneira, endereçar ao distinto público da Anajustra, algumas reflexões sobre a quebra do paradigma ético e moral das democracias contemporâneas. Recentar a política do bem comum, típica das sociedades democráticas, implica rever todo o processo de educação, a fim de retomar o verdadeiro sentido da democracia representativa. Desse prisma, a reflexão revisita noções básicas do processo de formação universitária, núcleo básico de construção crítica do exercício da cidadania política.
A nobre missão de ensinar exige uma combinação permanente de produção da informação, como também, de formação da nossa juventude. É um processo continuo de criação e recriação das ciências para a vida das futuras gerações. Temos que nos colocar em uma relação dialética. No dizer de Rubem Alves, é um constante “desaprender para aprender de novo. Raspar as tintas com que nos pintaram. Desencaixotar emoções, recuperar sentidos”. Na essência desse pensamento está a educação das sensibilidades, posto que sem estas todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Contudo, o contexto atual não se mostra fértil ao plantio. Trazemos à reflexão, o pensamento de Sérgio Abranches, acerca da transição do século XII .Dessa perspectiva, realça o sociólogo mineiro, que é indeclinável reconhecer, que vivemos tempos em mutação, difíceis permeados por desencanto e desespero. Um mundo em transe, líquido, ao referir-se ao sociólogo Zigmunt Bauman . Muitas distopias e poucas utopias. O próprio Bauman proclama que “este século é muito diferente do século XX. No interregno não somos uma coisa nem outra. No estado de interregno, as formas como aprendemos a lidar com os desafios da realidade não funcionam mais. As instituições de ação coletiva, nosso sistema político, nosso sistema partidário, a forma de organizar a própria vida, as relações com outras pessoas, todas essas formas aprendidas de sobrevivência no mundo não funcionam mais. Tudo é líquido, vai e vem …
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Sob certo sentido, a visão de Bauman tem muito de realidade, especialmente se levarmos em consideração a atual situação brasileira. Se no plano global vivemos uma crise de identidade, com quebra de valores e instituições, em solo pátrio a questão pode se revelar muito mais séria. Vivemos uma crise ética e moral sem precedentes. Destruímos todos os valores cívicos a gerar um desencantamento em massa, com impactos ainda não previsíveis sobre a manutenção da vida em sociedade.
Que elemento nos une enquanto nação? Qual o sentimento que ainda nos mantém coesos enquanto um povo? Que crenças e valores, em um contexto de corrupção sistêmica e endêmica, ainda sobrevivem?
Estas preocupações têm grande relevância quando se constata que, no regime democrático, o Estado não pode quebrar o vínculo de confiança com a sociedade. Em sentido político, o Estado ao romper com os valores cívicos, éticos e morais degrada a dimensão pública, porquanto se afasta da condição basilar de uma democracia que é a virtude da honestidade. Diz Thomas Jefferson, constitucionalista que governou os EUA, de 1801 a 1809, que toda a arte de governar consiste em ser honesto.
Um Estado desonesto é um poder ilegítimo, porquanto trai seu compromisso de servir à sociedade. Uma das faces mais cruéis deste estado de coisas é a descrença e o desencantamento que se apoderam do pensamento coletivo. O reflexo é uma atitude social massiva de desvalor que passa imperar no seio da sociedade. Na expressão do Prof. José Renato Nalini, “Quando os de cima não dão o exemplo, os de baixo se sentem liberados’. Para Nalini, o País vive “uma crise global, …. declínio dos valores” . Não nos esqueçamos que, quando o Poder dirige sua mira para o bem pessoal de quem o exerce, já degenerou em tirania, na feliz expressão do filósofo espanhol novecentista, Jaime Balmes”.
Não sei o que diria Bauman se tomasse a realidade brasileira para refletir sobre os tempos difíceis que atravessamos hodiernamente. Contudo, estamos convencidos de que, para enfrentar tempos tormentosos não podemos deixar de buscar sonhos e utopias, já que nestes estão respostas à momentos de perplexidade. As utopias, se direcionadas para a felicidade humana podem se transformar em ferramentas de mobilização, mesmo que essas realizações se apresentem como impossíveis. É o caminhar que faz a história, não a chegada a um ponto do futuro. Para Guimarães Rosa, “o real não está na saída nem na chegada: ele se mostra para a gente é no meio da travessia” .
ARANCHES, Sérgio. A era do imprevisto: a grande transição do século XXI. 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras. 2017
BAUMAN, Zigmunt. Tempos líquidos. Rio de Janeiro: Zahar. 2007
NALINI, José Renato. Disponível em http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/quando-os-de-cima-nao-dao-o-exemplo-os-de-baixo-se-sentem-liberados-diz-presidente-do-tj-sp
Id.
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A proposta que regulamenta a data-base dos servidores do PJU e do MPU avançou mais uma etapa e agora está em votação na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal (CDH).
De autoria da associada da ANAJUSTRA Federal, Marta Hungria Garcia, servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, a iniciativa busca tornar obrigatória e periódica a revisão anual dos vencimentos, conforme previsto na Constituição.
A votação está aberta e precisa de apoio para avançar.
Vote, participe e compartilhe com colegas.
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🔎 Informação clara faz toda a diferença.
A nova edição do nosso boletim jurídico traz os andamentos de 6 ações com um diferencial importante: resumos em linguagem simples para você entender exatamente o que está sendo discutido, em que fase cada processo está e quais são os próximos passos.
Transparência, acompanhamento permanente e defesa ativa dos direitos da categoria. 💙
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✨ A arte que nasce da delicadeza do agora
A servidora aposentada do TRT18 e artista visual, Luciana Martins, apresenta a exposição “Liberdade esquiva e delicada da vida”, em Anápolis (GO).
A mostra integra o projeto As Quatro Estações e convida o público a mergulhar em cores intensas, camadas sobrepostas e na liberdade que se revela nos gestos e nas escolhas da artista.
É um convite à sensibilidade. À pausa. Ao olhar atento para o que é sutil e profundamente humano.
📍 Estação Ferroviária de Anápolis
🗓 25 de fevereiro a 27 de março
A ANAJUSTRA Federal valoriza e compartilha os talentos que fazem da arte um espaço de expressão e liberdade.
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💡 Quando a ideia parte do associado, o resultado acontece.
📚 Guilherme Arruda, técnico judiciário do TRT2, queria fazer mestrado, mas esbarrava no tempo, no custo e nas poucas vagas.
Com a aprovação do Novo AQ, ele percebeu que era o momento certo. Sugeriu à ANAJUSTRA Federal a parceria com a MUST University e, em poucas semanas, já estava matriculado.
🚀 Hoje, ele e mais de 90 associados *têm desconto garantido no* mestrado EAD em Estudos Jurídicos, com ênfase em Direito Internacional, com desconto pelo convênio.
📌 Quer conhecer os mestrados e doutorados com benefício? Acesse o Clube de Vantagens da ANAJUSTRA Federal.
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🌿📖 A poesia também pode ser um ato de cuidado com o planeta!!
O Blog Espaço Cultural destaca o lançamento do livro S.O.S. Bichos Brasil, assinado pelos servidores do TRT da 7ª Região Frederico Brito e Thais Evangelista, com ilustrações de Luci Sacaleira.
Figura carimbada por aqui, o casal retorna ao Espaço Cultural com uma obra sensível e necessária, que dialoga com leitores de todas as idades. Mais do que um livro infantil, S.O.S. Bichos Brasil é um verdadeiro chamado à consciência ambiental.
Por meio de poemas delicados e acessíveis, o livro apresenta a realidade de animais brasileiros ameaçados de extinção e convida o leitor a refletir sobre a urgência da preservação da fauna e dos ecossistemas. 🐆🦜🌳
✨ Uma leitura que propõe não apenas informação, mas empatia, cuidado e responsabilidade coletiva pelo futuro do planeta.
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