Cássia Eller: intensidade do punk ao samba

“Quando eu gosto, vou até o talo.” Em uma das poucas entrevistas concedidas durante sua carreira, Cássia Eller, intérprete e compositora desvendou à revista Marie Claire, em 2001, fragmentos de sua alma que sempre procurou mascarar. Não porque tinha algo a esconder, mas era refém da timidez que causou alguns problemas na vida, como a dificuldade para se relacionar com a imprensa, ser entrevistada ao vivo em canais de televisão e manter uma relação de paz com jornalistas.

No palco, a timidez não tinha vez: as apresentações arrebatadoras, ritmadas pela voz contralto, rouca, logo ficaram famosas, na década de 80, em Brasília. Mas antes de subir aos palcos para cantar, Cássia participou de grupos teatrais na capital federal e atuou em musicais ao lado de jovens atores e atrizes, e diretores nem tanto inexperientes, como o compositor Oswaldo Montenegro, que dirigiu o musical “Veja Você, Brasília”, o primeiro da cantora.

A música nunca esteve fora da vida de Cássia, tanto que ela costumava dizer que sua musicalidade era de “nascença”, aprendeu a tocar violão sozinha e entendeu como sua voz funcionava que refletia suas identidades, independente da música cantada ser rock “pesado”, como um cover do Nirvana, ou uma das milhares composições mais “calminhas” feitas especialmente para ela pelo amigo, intérprete e compositor Nando Reis.

Paul McCartney e os “Beatles” foram as influências atemporais na vida de Cássia, aquela que você responde sempre que te perguntam sua banda favorita. Mas não deixou que essa preferência impedisse o acesso a outros sons, pessoas, bandas, compositores e experiências no mundo musical. E foi justamente isso que ela e sua companheira Eugênia Martins, com quem foi casada por 14 anos, até a sua morte no fim do ano de 2001, buscaram quando se mudaram de Brasília para a capital de paulista no fim dos anos 80.

Brasília ficou pequena e Cássia queria ser mais do que a menina tímida fora dos palcos, de poucas palavras e talento de sobra que preenchia qualquer ambiente com sua gargalhada. E conseguiu, mas não foi fácil e “passou” tão rápido. Inicialmente com o apoio do tio que trabalhava em uma gravadora, em São Paulo, Cássia registrou de forma amadora a canção “Por Enquanto”, composição de Renato Russo, e deu o start na sua carreira, ao gravar o disco que levava o seu nome, em 1990, revelando-se como uma das poucas e significativas vozes femininas que surgiram no Brasil durante os últimos cem anos.

Clipe veiculado no programa Fantástico, em 1990, com a interpretação da composição “Por enquanto”, de Renato Russo

Parece óbvio, mas Cássia era mais que uma voz. Era punk, rock, blues, e se reinventou várias vezes durante os doze anos de carreira, interrompida abruptamente antes do réveillon de 2001, quando sucessivas paradas cardiorrespiratórias, causadas por uma má formação no coração, de acordo com o boletim médico, pararam o corpo, mas não calaram a voz.

Pelo contrário, quem nunca tinha ouvido sua voz, visto alguma interpretação, ou escutado sua risada procurou saber quem era a mulher que fazia o “diabo” no palco, gritava, se jogava no chão, e quando estava em casa, na companhia da esposa e do filho Francisco, conhecido como Chicão, gostava de jogar bola e videogame.

Cássia Eller e banda, com a participação do filho, em 2001, encerram o show no Rock in Rio com cover da banda Nirvana

Chicão, apesar de pequeno (ele tinha nove anos quando Cássia faleceu), falou para a mãe que ela “berrava”, e quem cantava era a Marisa Monte, considerada por ele sua cantora favorita. Quem ajudou Cássia descobrir uma outra dimensão de sua voz, como “cantora”, na concepção do filho, foi Nando Reis, que é um dos personagens no documentário sobre a cantora, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, lançado esse ano e exibido em alguns cinemas brasileiros e no GNT, canal de TV pago.

Trailer do documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle e lançado em 2015 

O resultado da Cássia “cantora”, mais calma, e da união musical com Nando Reais resultou no álbum “Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo”, lançado em 1999, e certificado como disco de ouro, em 2000, com mais de 100 mil CD’s vendidos, e composições como “O Segundo Sol”, composta por Nando, “Gatas Extraordinárias”, de Caetano Veloso e “Palavras ao Vento”, composta por Marisa Monte e Moraes Moreira para Cássia. O sucesso absoluto ficou por conta de outra parceria com Nando: o “Acústico MTV”, vendido como CD e DVD, gravado no mês de março de 2001, em São Paulo, e dirigido pelo amigo.

Esse foi o último trabalho de Cássia e considerado o mais primoroso, já que reunia as várias “Cássias”, que interpretava Renato Russo, Chico Buarque, Cazuza (quem nunca ouviu “Malandragem”?), clássicos dos “Beatles”, e, porque não, Riachão, sambista da velha guarda e autor da música “Vá Morar com o Diabo”. O show do Acústico passou por várias cidades brasileiras e apresentou a cantora para quem ainda não a conhecia e foi sucesso de público e de vendas, alcançou o disco de diamante, com mais de um milhão de cópias vendidas.

Nesse período, ela não precisava mais mostrar a que veio, alcançou a “fama”, estava em período de abstinência, sem drogas e álcool, trabalhava de maneira insana para conseguir cumprir a agenda de shows, e cuidava de sua família como uma mãe “normal”. A morte “sem explicação”, parafraseando um dos versos cantados por ela, fez os fãs se lamentarem pela ausência de sua presença, entrega e intensidade nos palcos (benditos os que puderam ver algum show ao vivo, mais ainda quem participou do Rock in Rio, em 2001), mas agradecem essa mesma intensidade e dedicação à música eternizada nos dez álbuns e em um DVD produzidos durante sua carreira.

O documentário é outro presente para quem gosta ou quer conhecer mais detalhes sobre a vida de Cássia que ressurgiu com mais intensidade na memória dos fãs, após essa lembrança registrada em película que está sendo comercializada no formato DVD, inclusive em formato Blu-Ray. O documentário pode ser comprado em sites e livrarias como Saraiva e Submarino, e custa entre R$29,90 e R$32,90. 

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No palco, a timidez não tinha vez: as apresentações arrebatadoras, ritmadas pela voz contralto, rouca, logo ficaram famosas, na década de 80, em Brasília. Mas antes de subir aos palcos para cantar, Cássia participou de grupos teatrais na capital federal e atuou em musicais ao lado de jovens atores e atrizes, e diretores nem tanto inexperientes, como o compositor Oswaldo Montenegro, que dirigiu o musical “Veja Você, Brasília”, o primeiro da cantora.

A música nunca esteve fora da vida de Cássia, tanto que ela costumava dizer que sua musicalidade era de “nascença”, aprendeu a tocar violão sozinha e entendeu como sua voz funcionava que refletia suas identidades, independente da música cantada ser rock “pesado”, como um cover do Nirvana, ou uma das milhares composições mais “calminhas” feitas especialmente para ela pelo amigo, intérprete e compositor Nando Reis.

Paul McCartney e os “Beatles” foram as influências atemporais na vida de Cássia, aquela que você responde sempre que te perguntam sua banda favorita. Mas não deixou que essa preferência impedisse o acesso a outros sons, pessoas, bandas, compositores e experiências no mundo musical. E foi justamente isso que ela e sua companheira Eugênia Martins, com quem foi casada por 14 anos, até a sua morte no fim do ano de 2001, buscaram quando se mudaram de Brasília para a capital de paulista no fim dos anos 80.

Brasília ficou pequena e Cássia queria ser mais do que a menina tímida fora dos palcos, de poucas palavras e talento de sobra que preenchia qualquer ambiente com sua gargalhada. E conseguiu, mas não foi fácil e “passou” tão rápido. Inicialmente com o apoio do tio que trabalhava em uma gravadora, em São Paulo, Cássia registrou de forma amadora a canção “Por Enquanto”, composição de Renato Russo, e deu o start na sua carreira, ao gravar o disco que levava o seu nome, em 1990, revelando-se como uma das poucas e significativas vozes femininas que surgiram no Brasil durante os últimos cem anos.

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Parece óbvio, mas Cássia era mais que uma voz. Era punk, rock, blues, e se reinventou várias vezes durante os doze anos de carreira, interrompida abruptamente antes do réveillon de 2001, quando sucessivas paradas cardiorrespiratórias, causadas por uma má formação no coração, de acordo com o boletim médico, pararam o corpo, mas não calaram a voz.

Pelo contrário, quem nunca tinha ouvido sua voz, visto alguma interpretação, ou escutado sua risada procurou saber quem era a mulher que fazia o “diabo” no palco, gritava, se jogava no chão, e quando estava em casa, na companhia da esposa e do filho Francisco, conhecido como Chicão, gostava de jogar bola e videogame.

Cássia Eller e banda, com a participação do filho, em 2001, encerram o show no Rock in Rio com cover da banda Nirvana

Chicão, apesar de pequeno (ele tinha nove anos quando Cássia faleceu), falou para a mãe que ela “berrava”, e quem cantava era a Marisa Monte, considerada por ele sua cantora favorita. Quem ajudou Cássia descobrir uma outra dimensão de sua voz, como “cantora”, na concepção do filho, foi Nando Reis, que é um dos personagens no documentário sobre a cantora, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, lançado esse ano e exibido em alguns cinemas brasileiros e no GNT, canal de TV pago.

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O resultado da Cássia “cantora”, mais calma, e da união musical com Nando Reais resultou no álbum “Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo”, lançado em 1999, e certificado como disco de ouro, em 2000, com mais de 100 mil CD’s vendidos, e composições como “O Segundo Sol”, composta por Nando, “Gatas Extraordinárias”, de Caetano Veloso e “Palavras ao Vento”, composta por Marisa Monte e Moraes Moreira para Cássia. O sucesso absoluto ficou por conta de outra parceria com Nando: o “Acústico MTV”, vendido como CD e DVD, gravado no mês de março de 2001, em São Paulo, e dirigido pelo amigo.

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A aposentadoria não encerrou a trajetória de Jorge Roberto Cunha de Oliveira. Abriu espaço para novos capítulos. 📚

Depois de quase 30 anos de atuação no @trt_rs onde chegou aos cargos de secretário-geral da Presidência e diretor-geral, o associado da ANAJUSTRA Federal mantém uma intensa produção literária. Entre obras próprias, antologias, compilações e artigos, já são mais de 20 trabalhos publicados. 

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Na quarta-feira (17), o assessor parlamentar da entidade, Roberto Bucar, entregou ao gabinete do senador Cid Gomes, relator da proposta, uma carta de apoio acompanhada de Nota Técnica que reúne fundamentos constitucionais, jurídicos, científicos e de saúde pública em defesa da medida.

Elaborada pela servidora aposentada Rosely Saboia Pimentel Saldanha, nutricionista e bacharel em Direito, a Nota Técnica destaca a importância da alimentação adequada no envelhecimento e sua relação com a prevenção de doenças, a manutenção da massa muscular e a preservação da capacidade funcional.

📌 A SUG 11/2025 está em análise na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado.

A ANAJUSTRA Federal continuará acompanhando a tramitação.

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