Pesquisa sobre trabalho de cuidado segue aberta para profissionais do Judiciário
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Neste 21 de abril, TSE celebra a cidade que abriga o sistema que transformou o Brasil em referência mundial de apuração e transparência.
Do sonho de Dom Bosco, passando pela Missão Cruls e pela Era Juscelino Kubitschek, até a inauguração da nova capital, há exatos 66 anos, Brasília tornou-se marco do poder e do futuro. Hoje, a cidade nascida da invenção humana consolidou-se como um hub de tecnologia e a casa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — o Tribunal da Democracia. Foi na metrópole traçada entre os paralelos 15 e 20 que o sistema de apuração eletrônica e a logística das urnas foram concebidos, testados e legitimados pelos olhos do mundo como ferramentas confiáveis e seguras.
A capital não é apenas um museu a céu aberto da arquitetura modernista: ela se tornou o sistema nervoso central da vontade popular brasileira. Se JK prometeu “50 anos em 5”, a Brasília de hoje entrega milhões de votos em poucas horas. A cidade foi concebida para ser a síntese da modernidade do Brasil, e a urna eletrônica é a materialização desse espírito: um sistema desenhado por brasileiros para resolver um desafio continental.

Em 2026, o sistema brasileiro é reconhecido pela auditabilidade em camadas. Antes de cada pleito, o código-fonte é aberto para inspeção por partidos, por universidades, instituições civis e públicas, entre outros, no subsolo do TSE, o que reforça o papel da capital como o “escudo” da transparência.
Os olhos do mundo, que em 1960 se voltavam para a ousadia urbanística de Lúcio Costa, hoje se voltam para o Centro de Divulgação das Eleições (CDE) do TSE. No espaço, a confiança não vem mais do papel assinado, mas da transparência de um processo que legitimou todas as alternâncias de poder desde sua criação.
A mudança radical não nasceu no Vale do Silício, mas no Cerrado. Foi em Brasília, em 1995, que uma comissão técnica liderada por engenheiros e juristas brasileiros concebeu o primeiro protótipo da urna eletrônica.

Localizado no coração da capital, o TSE opera como o cérebro tecnológico da nação. Foi na segunda sede do Tribunal em Brasília, em um prédio que, à época, foi considerado um dos maiores vãos de concreto armado em balanço da América Latina, que o Brasil abandonou as cédulas de papel — vulneráveis ao “voto formiga” e às fraudes de contagem — para abraçar o bit, ou seja, a informação processada e armazenada por computador.
Não é apenas sobre código; é sobre geografia. O que faz de Brasília o “laboratório” não é apenas o desenvolvimento do software, mas a gestão de uma logística complexa. A mesma Brasília que foi planejada para centralizar o Brasil hoje coordena a distribuição das urnas eletrônicas a aldeias indígenas no coração da Amazônia, a comunidades ribeirinhas acessíveis apenas por barco e a escolas rurais nos confins do sertão.
O modelo atual, utilizado com sucesso nas Eleições Municipais de 2024, responde a um grande desafio tecnológico. Ao encerramento da votação, às 17h, o sistema recebe uma avalanche de mais de 4 milhões de arquivos. Entre eles, cerca de 480 mil Boletins de Urna (BUs), os documentos que contêm os votos consolidados de cada seção eleitoral. O Tribunal já alcançou a marca de 8 mil BUs processados por minuto.
A decisão de trazer toda a totalização dos votos para Brasília, efetivada a partir de 2020, encerrou um ciclo de descentralização que vinha desde 1996. Antigamente, a apuração ocorria em juntas eleitorais locais e, posteriormente, nos 27 tribunais regionais eleitorais (TREs).
Do coração do Planalto Central, coordenam-se planos que envolvem:
Sessenta e seis anos depois, Brasília é reconhecida mundialmente como um hub de tecnologia eleitoral. O sistema de apuração, auditado e testado publicamente, é o orgulho da cidade que nasceu da “invenção humana”. A Brasília de 2026 é a capital que Dom Bosco sonhou, Cruls demarcou e JK realizou.

Brasília tem estrutura eleitoral única no Brasil, o que gera curiosidade. Veja os fatos mais interessantes:

O TSE já ocupou sete endereços, no Rio de Janeiro e em Brasília. Foi somente na nova capital e pelas mãos do arquiteto Oscar Niemeyer que o Tribunal da Democracia ganhou “casa própria”. Anteriormente, os prédios que a Corte ocupou não haviam sido criados para abrigar a Justiça Eleitoral.
Alguns exemplos são a antiga sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em 1935, no centro da cidade do Rio; o Palácio Monroe, em 1945, que abrigou a Câmara dos Deputados e o Senado Federal; e um prédio idealizado para ser a sede do Banco do Brasil, na Rua Primeiro de Março, em 1946.
Na nova capital, o TSE morou em três endereços no solo vermelho do Cerrado: no Bloco B da Esplanada dos Ministérios (1960 a 1971); na Praça dos Tribunais Superiores (1971 a 2011); e no prédio da Quadra 7 do Setor de Administração Federal Sul (2011 aos dias de hoje).

O prédio atual do TSE é arte em concreto armado que celebra a persistência da democracia. Inaugurado em 15 de dezembro de 2011 — data em que o gênio da arquitetura completou 104 anos de vida —, o edifício carrega o peso simbólico de ter sido a última obra do arquiteto a ganhar vida na cidade. Enquanto Niemeyer se despedia do mundo, suas curvas, suaves e introspectivas, davam as boas-vindas ao futuro da Justiça Eleitoral.









Sob o céu de um azul quase irreal, onde o horizonte de Brasília parece se curvar para abraçar o Cerrado, erguem-se 116 mil metros quadrados de área construída, sustentados por vãos livres que desafiam a gravidade — marca registrada do “arquiteto das curvas”. No entanto, diferentemente da monumentalidade vertical dos ministérios, o TSE se estende horizontalmente.
O TSE de Niemeyer permanece como uma sentinela branca sob o sol do Planalto Central, lembrando-nos que, enquanto as instituições são feitas de homens e leis, a história é escrita com a tinta indelével da democracia e do futuro.

Entre os pilotis de concreto da Asa Sul e o traçado monumental que desenha o horizonte da capital federal, uma nova geração de brasilienses começa a ocupar espaços que vão além dos centros de ensino médio. Aos 16 anos, idade em que o voto ainda é facultativo e não uma obrigação, estudantes como Clara Schmidt Barbosa Marques da Silva decidiram que não vão esperar o tempo da lei para influenciar o destino do país.
Moradora da Asa Sul, Clara faz parte de uma estatística que o TSE tenta impulsionar a cada ciclo: o jovem que busca o título de eleitor por convicção, antes da obrigatoriedade, aos 18 anos. No caso dela, o rito de passagem democrático não foi um ato isolado, mas o desdobramento natural de uma “escola” que funciona dentro de casa.
“Decidi tirar o título principalmente por influência da minha família, que sempre foi muito ativa politicamente”, conta a estudante. “Desde cedo, acompanhei as discussões e a importância do voto dentro de casa, o que despertou em mim o interesse. Sempre tive vontade de participar e contribuir, mesmo que de forma simples, com as decisões do país”, destaca.
Para Clara, o ingresso precoce na vida eleitoral é uma ferramenta de oxigenação do sistema político. Ela defende que a presença da juventude nas urnas obriga o Estado a olhar para demandas que, muitas vezes, ficam em segundo plano em palanques ocupados por figuras veteranas. “O voto jovem ajuda a política a se tornar algo mais representativo para todas as faixas etárias”, avalia. “Votar é ajudar a construir o futuro do nosso país”, frisa.
Sessenta e seis anos depois, a capital é a síntese do que Dom Bosco sonhou e JK realizou. Mas, acima de tudo, é o lugar onde a tecnologia encontrou a democracia para provar que, no coração do Brasil, o futuro não é uma promessa, e sim uma realidade — um sistema seguro, auditável e soberano.
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