TSE autoriza preenchimento de 398 cargos efetivos na Justiça Eleitoral
Os maiores quantitativos de vagas estão no TRE de São Paulo, no TRE de Minas…
Cidadão com deficiência física, do sexo masculino, com idade entre 30 e 39 anos, casado, com filhos, portador de diploma de nível superior. Não, não se trata de um anúncio de emprego para admissão com base na lei que regula a contratação de pessoas com deficiência, mas do perfil predominante do servidor público com deficiência que atua no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). Esse retrato é resultado de uma pesquisa inédita realizada no Regional pela Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), por ocasião do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, lembrado a cada ano em 3 de dezembro.
Com o objetivo de conhecer melhor as condições de trabalho dos magistrados e servidores com deficiência para desenvolver iniciativas que ampliem a sua acessibilidade e autonomia, foram distribuídos questionários a todas as unidades da instituição. Os dados preliminares do levantamento mostram que atualmente o TRT/RJ possui 71 pessoas nessas condições, das quais 48% têm deficiência física; 28%, auditiva; e 24%, visual. Segundo Sônia Regina de Freitas Andrade, diretora da SGP, a pesquisa também objetivou atualizar as informações cadastrais do Tribunal, já que alguns servidores foram admitidos antes da entrada em vigor da legislação que regulamentou a reserva de vagas em concursos públicos para candidatos com deficiência.
Uma das conclusões a que se chegou é que o TRT/RJ está muito bem servido quando se fala de capacitação desses servidores: 60% dos entrevistados possuem nível superior completo e 32% são pós-graduados. Já a faixa etária (72% têm até 49 anos) indica que o contingente de pessoas com deficiência no Tribunal é relativamente jovem – grande parte ingressou a partir de 2008 -, sendo essa uma das razões para a instituição encontrar-se num processo de mudança cultural e de adaptação às normas de acessibilidade. Esse fato foi reconhecido pelos próprios respondentes, que não deixaram de assinalar, entretanto, a necessidade de maiores esforços, a exemplo da capacitação/sensibilização dos servidores no atendimento ao jurisdicionado com deficiência, bem como a conveniência de maior capacitação entre os servidores para o trato com os seu pares que possuam alguma deficiência ou mobilidade reduzida.
A principal contribuição da pesquisa, no entanto, é o conhecimento gerado sobre as necessidades desse público específico. Setenta e dois por cento dos respondentes indicaram que o espaço sócio-ocupacional está adequado às suas peculiaridades – já que sua deficiência não demanda grandes adaptações –, mas complementaram suas respostas apontando a necessidade de pequenas adaptações, como telefones com sinais luminosos, banheiros acessíveis, rampas de acesso, entre outros fatores.
A Administração está atenta a essas demandas. Como demonstraram as reportagens especiais publicadas ao longo desta Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência no TRT/RJ, diversas medidas já foram adotadas por unidades do Tribunal para melhorar a acessibilidade dos usuários da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro, mas outras iniciativas ainda estão por vir.
Fazendo a diferença
A diretora da SGP, Sônia Freitas, destacou a importância de cada um, individualmente, contribuir para tornar mais fácil a vida da pessoa com deficiência. Na pesquisa, servidores foram questionados se, em sua trajetória no TRT/RJ, houve algum fato relacionado ao seu gestor ou companheiro de trabalho que tenha sido fundamental na melhoria da execução dos serviços. As respostas demonstraram que ações simples no dia a dia podem fazer toda a diferença. Leia alguns depoimentos:
“Quando entrei no Tribunal, trabalhei por 5 anos na 7ª VT/RJ. Todos na Vara sabiam da minha deficiência e tentavam ser sempre pacientes e gentis. Durante os três primeiros anos lá, eu não fazia uso de aparelhos auditivos, pois sempre achei desnecessário e que minha condição não era tão ruim a ponto de precisar deles. Mas uma amiga/colega de trabalho, Clélia Fonseca, assistente de diretor, me dizia: ‘Vivi, sua surdez está piorando, cada vez você entende menos as palavras’. Depois de tantos alertas, inclusive da família, vi que eu deveria melhorar minha condição de vida e não me acomodar com minhas limitações. A partir daí, comecei a usar os aparelhos auditivos, que melhoraram consideravelmente meu relacionamento pessoal e no trabalho.” – Vitoria Elisabeth, 8ª Vara do Trabalho de Niterói
“Acredito que a compreensão, o companheirismo e o incentivo são indispensáveis ao bom desempenho diário de nossas atividades, especialmente quando se trata de servidor com algum tipo de deficiência. E posso dizer que, desde que ingressei nos quadros do TRT/RJ, em 2009, até hoje, sempre tive um excelente tratamento por parte de superiores e colegas, o que, com certeza, se reflete na execução de minhas tarefas.” – Adriana Carvalho, 7ª Vara do Trabalho de Niterói
“Desde o ingresso, tenho aprendido muito com os colegas e devo todo o aprimoramento das minhas capacidades de trabalho às pessoas com quem trabalhei.” – Lucas Mendonça, 5ª Vara do Trabalho de Duque de Caxias
“Ser tratado com igualdade e entusiamo. Reconhecimento da contribuição dada ao trabalho, dada à equipe.” – Marcia Gomes, Divisão de Padronização.
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