STJ encerra primeiro semestre com mais de 260 mil novos processos
Para o ministro Herman Benjamin, presidente do STJ, o balanço estatístico…
Mais do que números, a participação feminina na liderança do TRT-GO se traduz em trajetórias profissionais marcadas por dedicação ao serviço público, compromisso institucional e constante busca por aperfeiçoamento.
A participação das mulheres nos espaços de liderança do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) tem se ampliado ao longo dos últimos anos e hoje se reflete em diferentes níveis da estrutura institucional, tanto na magistratura quanto na administração do tribunal. Elas já são maioria nos cargos de chefia e assessoramento, ocupando 59% do total de cargos em comissão e funções comissionadas. Na magistratura, representam 44% do total de juízes e desembargadores.
Os dados mais recentes da Secretaria de Gestão de Pessoas do TRT-GO revelam que as mulheres representam 56% do quadro geral de servidores do tribunal, com 817 servidoras entre os 1.458 integrantes da instituição. Na magistratura, o cenário também se aproxima do equilíbrio: 41 das 88 vagas de juiz são ocupadas por mulheres, o que corresponde a 46,6% do total de magistrados de primeiro grau.
O segundo grau da Justiça do Trabalho em Goiás conta com a atuação de 14 desembargadores, dos quais quatro são mulheres, o que representa 28,6% da composição do colegiado. Para ampliar a presença feminina nesse nível da carreira, o TRT-GO tem adotado medidas institucionais voltadas à promoção da equidade. Em 2024, o tribunal aprovou a Resolução Administrativa nº 74/2024, que determinou que as vagas de desembargador destinadas à carreira da magistratura pelo critério de merecimento sejam preenchidas por editais alternados, mistos e exclusivos para mulheres, medida alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Entre os dados mais recentes, destaca-se a presença marcante de mulheres na gestão administrativa, ocupando 59% dos cargos de chefia e assessoramento. Entre as 696 funções comissionadas (FCs) existentes no tribunal, 446 são ocupadas por mulheres, o que corresponde a 64% do total. No entanto, entre os 180 cargos em comissão (CJs), que são cargos de gestão, como os de diretoria de varas do trabalho e de unidades estratégicas, apenas 68 são ocupados por servidoras, representando 37,8% dessas posições.
O presidente do TRT-GO, desembargador Eugênio Cesário implementou em 2025 o Plano de Desenvolvimento de Sucessores como uma das estratégias para incentivar a participação feminina nos cargos de gestão. A iniciativa estabelece, como diretriz, que ao menos uma das pessoas indicadas como sucessoras para cada cargo de gestão ou função crítica seja mulher.
Segundo o presidente, a medida busca reduzir desigualdades históricas no tribunal e ampliar a presença feminina tanto nos cargos de gestão quanto nos espaços de decisão, como comitês e eventos institucionais. “A presença feminina nesses espaços contribui para uma gestão mais plural e colaborativa, baseada na diversidade de experiências e perspectivas”, afirmou o presidente.
Mais do que números, a participação feminina na liderança do TRT-GO se traduz em trajetórias profissionais marcadas por dedicação ao serviço público, compromisso institucional e constante busca por aperfeiçoamento. Em diferentes áreas do tribunal, servidoras e magistradas têm assumido responsabilidades estratégicas e contribuído diretamente para a melhoria da qualidade dos serviços públicos.
Entre essas lideranças está Leila Alves Barbosa, diretora do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) de 1º grau de Goiânia desde 2016. Ela observa que muitas mulheres enfrentam o desafio de conciliar a carreira com a dupla jornada de trabalho e responsabilidades familiares, além da necessidade constante de “provar a sua competência”. “Eu mesma, no começo, não acreditava que poderia liderar uma equipe, mas quando as pessoas certas acreditam em você, tudo muda”, afirmou ao destacar o apoio do juiz Israel Adourian. “Eu tive a sorte de ter um gestor que acreditou em mim e me deu oportunidade. Esse reconhecimento me deu forças para seguir em frente, enfrentar o desafio de ser conciliadora e, anos depois, assumir a direção do Cejusc de Goiânia”, relatou.
Na área judiciária, Dayana Moreira da Silva, diretora da 14ª Vara do Trabalho de Goiânia, também representa esse protagonismo feminino na administração das unidades judiciais. Quando assumiu a diretoria de uma vara do trabalho em Goiânia pela primeira vez, em 2005, ela tinha apenas 25 anos e era a única mulher diretora de vara. Hoje ela comemora que há mais mulheres ocupando postos estratégicos. Dayana lidera uma equipe formada predominantemente por mulheres, o que, segundo ela, acaba desenvolvendo uma cultura de apoio mútuo e colaboração, como a que ela chama de “terapia do cafezinho”, em que as mulheres se reúnem para troca de experiências de vida e maternidade. O conselho para mulheres que querem assumir funções de liderança é direto: “buscar conhecimento, manter a empatia e não se intimidar diante de desafios ou ambientes masculinos”.
Outro exemplo é o de Andressa Handan, diretora da Vara do Trabalho de São Luís de Montes Belos, uma das unidades que se destacam em produtividade. Na avaliação dela, as mulheres em cargos de gestão têm transformado o ambiente de trabalho com empatia, colaboração e apoio mútuo. Ela ressalta o apoio fundamental do juiz titular da unidade, César Silveira, e avalia que os gestores homens podem contribuir mais quando adotam uma postura empática, compreendendo que apoiar o crescimento profissional das mulheres não representa uma ameaça, mas um fortalecimento coletivo da instituição. “O tribunal vem amadurecendo na pauta da equidade de gênero e ampliando a presença de mulheres em posições de gestão”, afirmou.
Na área administrativa, Adnólia Aires, diretora da Coordenadoria de Cerimonial do TRT-GO, também integra esse grupo de lideranças femininas. Com experiência na organização de eventos institucionais e na condução de solenidades oficiais do tribunal, ela ressalta que a preparação profissional é essencial para assumir responsabilidades de liderança. Adnólia diz que já fez inúmeros cursos de aprimoramento e sempre tenta transmitir o que chamou de “inquietude de aprender” para as mulheres da sua equipe. “É preciso ir além do básico, buscar novos conhecimentos e acreditar no próprio valor”, conclui.
O avanço da participação feminina no tribunal também tem sido impulsionado por políticas institucionais voltadas à promoção da equidade de gênero. O TRT-GO conta com o Subcomitê de Incentivo à Participação Institucional Feminina e de Igualdade de Gênero, responsável por implementar no âmbito regional a política prevista na Resolução nº 255/2018 do CNJ. O colegiado atua na formulação de ações voltadas ao estímulo da presença de mulheres em cargos de chefia e assessoramento, além de incentivar a participação feminina em eventos institucionais e em bancas de concursos.
O subcomitê tem como coordenadora a desembargadora Kathia Maria Bomtempo de Albuquerque, que também é ouvidora da Mulher no TRT-GO. Ela foi a segunda mulher a assumir o cargo de desembargadora desde a criação do tribunal há 35 anos. Para a desembargadora, a mulher vem avançando nos espaços de poder, no entanto, o processo é gradual, pois a desigualdade de gênero ainda é uma realidade e exige políticas que incentivem a equidade. “Só seremos plenamente felizes quando homens e mulheres puderem viver essa equidade, na prática, e estamos caminhando para isso. Tenho muita fé e esperança”, afirmou.
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