ARTIGO

Otimismo brasileiro: um risco financeiro para as famílias

Ser otimista é ótimo. O problema surge quando o otimismo reduz a preocupação com riscos futuros.

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Jurandir Sell Macedo

Um estudo de 2025 do Global Flourishing Study (GFS) analisou o nível de otimismo de mais de 200 mil adultos em 22 países e concluiu que o Brasil é o campeão mundial em otimismo. O GFS é uma das pesquisas mais ambiciosas já realizadas para entender o que faz as pessoas prosperarem em diferentes partes do mundo. 

Segundo o estudo, pessoas mais otimistas tendem a acreditar que conseguem alcançar resultados desejados e, por isso, persistem mais em metas, mesmo diante de dificuldades, o que aumenta a resiliência. Quanto maior o otimismo, menor o risco de mortalidade, menor a incidência de doenças cardiovasculares e menor o risco de transtornos mentais. 

Ser otimista é ótimo. O problema surge quando o otimismo reduz a preocupação com riscos futuros. Cansei de perguntar a pessoas com filhos pequenos o que aconteceria com a família se elas viessem a falecer ou se ficassem inválidas, e a resposta, quase sempre, em um tom que variava entre a ironia e a vergonha, era: “não estou planejando morrer!”. 

Este é um tema que me afeta muito. Meu pai, que muito jovem não planejava morrer, sofreu um acidente e deixou minha mãe com 27 anos e três filhos para cuidar. Rapidamente, quase todo o patrimônio acumulado se perdeu. Eu era o mais velho, com apenas 10 anos, e meu pai, um empresário, tinha um seguro ínfimo e uma baixa contribuição previdenciária. 

Meu pai não era exceção. É assim que a maioria dos brasileiros se comporta quando o assunto é risco de morte. Um indicador mundialmente aceito calcula a razão entre os prêmios de seguro de vida e o PIB. No Brasil, esse número é de 0,432% do PIB; no Chile, 1,944%; nos Estados Unidos, 2,710%; na França, 5,292%; e na Dinamarca, 8,31% do PIB. Infelizmente, o risco de um pai ou mãe de família morrer, no Brasil, enquanto os filhos ainda são dependentes, não é menor do que na Dinamarca. 

Alguns podem argumentar que o brasileiro contrata menos seguro porque a renda média do país é baixa. Essa explicação faz sentido para parte da população. Porém, ela perde força quando olhamos para grupos com renda acima da média, como os servidores do Poder Judiciário da União e do Ministério Público da União. Nesse caso, o problema deixa de ser a renda e passa a ser consciência sobre o risco. É o excesso de otimismo, somado ao viés do adiamento: “isso não vai acontecer comigo”, “ainda dá tempo”, “depois eu vejo”. 

A boa notícia é que existe um antídoto simples para esse descompasso entre otimismo e prudência: automatizar a proteção. É exatamente aqui que a Cobertura Adicional de Risco (CAR) entra como peça estratégica dentro da Funpresp-Jud. A CAR não é um luxo nem um “extra”. Ela é a forma mais direta de lidar com um problema matemático e humano ao mesmo tempo: o risco de morrer ou perder a capacidade de trabalho existe, e o impacto financeiro pode ser enorme quando acontece cedo, antes de a reserva previdenciária ter tempo de amadurecer. 

A maioria das pessoas subestima o risco por dois motivos. O primeiro é psicológico: nosso cérebro foi feito para projetar o amanhã como uma continuação do hoje. O segundo é estatístico: como eventos graves são raros no nosso círculo imediato, tratamos como se fossem impossíveis. Só que proteção não é uma aposta sobre a probabilidade. Proteção é uma decisão sobre agir antes de esperar consequência. E a consequência de um evento grave, para quem precisa cuidar dos seus dependentes, costuma ser alta demais para ficar na categoria do “depois eu vejo”. 

No plano de contribuição definida, como é o caso da Funpresp-Jud, existe uma verdade incômoda: no começo da trajetória, o saldo ainda é pequeno, e é exatamente nesse começo que muitas famílias estão mais expostas. Há filhos pequenos, financiamento, aluguel, escola, rotina organizada em torno da renda do trabalho. Se ocorre uma morte ou uma incapacidade, a família não perde apenas uma pessoa. Ela perde previsibilidade. E previsibilidade é o que paga as contas no dia seguinte ao choque. 

A CAR funciona como uma segurança para a família. Ela cria uma proteção que não depende apenas de quanto você já acumulou, e sim do compromisso de não deixar a sua história financeira desabar no momento mais delicado. Em linguagem simples, ela ajuda a garantir que, se o pior acontecer, a previdência não vire um “saldo insuficiente” justamente quando deveria virar amparo. Isso é particularmente relevante para quem entrou há pouco tempo na Funpresp-Jud, para quem está com filhos em fase de dependência e para quem é a principal fonte de renda da casa. 

Aqui vale uma distinção importante: a CAR não concorre com a disciplina de investimento. Ela a protege. Um patrimônio leva anos para ser construído. Um evento grave leva segundos. A adesão à CAR é como instalar um para-raios no telhado. Você não instala porque acha que vai cair um raio amanhã. Você instala porque sabe que, se cair, o prejuízo pode ser imenso. 

Outra objeção comum é: “Eu já tenho previdência e já contribuo, então estou protegido”. A pergunta correta é outra: protegido para qual cenário, em qual fase da vida e com qual nível de renda substituta? Quando a reserva ainda está em formação, o risco não é só “ter algo”. É ter o suficiente. E “o suficiente” precisa ser pensado com frieza: quanto custa a vida da sua família por mês e por quantos anos ela precisaria de apoio se você não estivesse aqui ou não pudesse mais trabalhar? 

Existe também o argumento do custo: “não quero mais uma despesa”. Só que a decisão não é entre “gastar” e “não gastar”. É entre pagar um valor previsível agora ou aceitar um risco potencialmente devastador depois. A CAR é isso: transformar uma perda imprevisível e grande em um custo pequeno e administrável. Se você é otimista, ótimo. Mas deixe o otimismo para os projetos e para o futuro. Na gestão de riscos, prefira a responsabilidade. 

Dois detalhes da CAR, por si sós, já mudam o jogo para quem pensa no longo prazo. O primeiro é tributário. Ao aderir à CAR, o participante pode ter abatimento mensal do imposto de renda na fonte de até 27,5% sobre o valor da contribuição. Em termos práticos, isso significa que o leão paga parte da proteção da sua família. O segundo ponto é que em caso de sinistro, o participante ou os beneficiários podem receber à vista até 25% do valor da CAR e converter o restante em benefício suplementar, pago entre 60 e 480 meses. Essa estrutura é inteligente porque reduz um risco pouco comentado: receber tudo de uma vez, em plena vulnerabilidade emocional, e virar alvo de golpes, “investimentos milagrosos” ou decisões apressadas.  

Para uma instituição como a Funpresp-Jud, que atende pessoas com visão de longo prazo e compromisso com estabilidade, a CAR deveria ser vista como parte do básico. Um participante previdente não é apenas quem escolhe boas alíquotas ou acompanha a rentabilidade. Previdente é quem impede que a própria família dependa de improviso em um momento de vulnerabilidade. O objetivo não é “ganhar dinheiro” com a CAR. O objetivo é investir em tranquilidade, preservar dignidade e proteger quem você ama do tipo de decisão que não deveria existir: a de ter que reduzir o padrão de vida porque a renda desapareceu. 

Se eu tivesse que resumir em uma frase: aderir à CAR é um ato de responsabilidade com a proteção financeira da família. É cuidado com o futuro de quem você ama. Porque, no fim, a pergunta não é se você está planejando morrer. A pergunta é se a segurança da sua família também está em seus planos. 

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A servidora aposentada do TRT-SC e associada da ANAJUSTRA Federal Stella Maris Kutney lança, no próximo 21 de março, o livro Era outra vez... as fadas! – voo-lume 1.

A obra reúne poemas encantados que convidam o leitor a mergulhar em um universo de fantasia, povoado por fadas, bruxas, duendes, elfos, magos e guardiões da natureza. Com linguagem lúdica e sensível, os textos exploram o poder da imaginação e o encanto das palavras.

Natural de Blumenau (SC) e moradora de Florianópolis há cerca de 30 anos, Stella encontrou inspiração nas lendas e no imaginário da chamada “Ilha da Magia”, cenário que dialoga com o universo fantástico presente na obra.

Apaixonada pela escrita desde a infância, a autora já publicou textos em jornais, revistas culturais e antologias poéticas. Agora, reúne parte dessa produção literária no novo livro.

📅 Lançamento: 21 de março

Parabéns à associada Stella Maris Kutney por compartilhar sua criatividade e sensibilidade com os leitores. ✨

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