Parlamentar

O Governo do ano que vem já começa amanhã

01/11/2022 17:00 | Fonte: assessor parlamentar ANAJUSTRA Federal

A coluna De Olho em Brasília traz uma análise do ambiente legislativo e as barreiras que o novo presidente eleito deverá superar no primeiro ano de mandato.

Assessor parlamentar da ANAJUSTRA Federal, Roberto Bucar. | Foto: ANAJUSTRA Federal
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Não era nenhuma novidade que a eleição presidencial deste ano seria uma das maiores disputas da história brasileira, foi acirrada até o final da apuração e com direito a virada. O placar foi apertado, 50,90% para o Lula e 49,10% para o Jair Bolsonaro, e a supremacia não é plena. Entretanto, o que prevalece é a escolha da maioria em um dos candidatos.

Dos 156 milhões de brasileiros aptos a votar, cerca de 120 milhões foram às urnas no último domingo, e a diferença entre os candidatos ficou em torno de 2 milhões. Realmente, um resultado acirrado.

Eleito, Luís Inácio Lula da Silva vai ao terceiro mandato presidencial e encontrará um Congresso conservador composto por 260 deputados eleitos para a Câmara e 45 para o Senado Federal. Esse ambiente, em tese, gera preocupação para o futuro governo dar andamento à pauta que o elegeu.

A bancada conservadora terá a atenção voltada às questões política, judiciária, tributária e administrativa. Já o bloco do Centrão não é adepto à agenda muito liberal voltada às privatizações. Ou seja, se olharmos pura e simplesmente para a nova formação do Congresso Nacional veremos um movimento à direita na sociedade.

Mas o Lula é um político experiente que vai para o seu terceiro mandato conhecendo bem os meandros da política nacional e o modus operandi do Congresso. Ele sabe que terá pela frente muita resistência e que, para superá-la, precisará montar uma equipe incontestável tecnicamente e de grande poder de articulação.
Se o novo presidente eleito almeja, de fato, cumprir algumas das promessas de campanha como, por exemplo, mudar radicalmente a reforma administrativa, deverá ter sabedoria para escolher o momento mais oportuno e se respaldar em um sólido repertório de sustentação. Do contrário, vai amargar uma derrota logo no início do seu mandato.

Ninguém pode negar o poder de articulação do Lula, ele é um mestre nessa área. Porém, não é possível não esperar forte resistência e grandes dificuldades desse Congresso fortemente conservador e radical, afinal, o Partido Liberal (PL) tem a maior bancada nas duas Casas e o Centrão também é um importante vencedor dessas eleições.

O futuro presidente será cobrado por respostas contundentes e rápidas sobre a economia. O Lula não tem o direito de perder tempo, a articulação com o Congresso deve começar o quanto antes. Com o Centrão, ele precisará ter uma atenção especial e, em breve, encontrar formas de “agasalhar” os 10 partidos da coligação mais os aliados do segundo turno. Os rumores de criarem exatos 10 novos ministérios não é obra do acaso.

O futuro governo do Brasil não terá início em janeiro de 2023, mas a partir desta quarta-feira - 2 de novembro - quando já poderá formar o governo de transição. Uma batalha foi vencida, mas a luta só começou.

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