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O melhor amigo do homem dando a direção

01/01/2010 11:09 | Fonte:

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Daniela e seu companheiro Basher
Foto: Moisés Vieira Júnior

Andar pelas ruas das cidades parece ser corriqueiro, mas para quem possui uma necessidade especial não é bem assim. Ir para o trabalho ou qualquer outro lugar se transforma em um desafio para quem não enxerga. Sem contar com a ajuda de alguém, andar de metrô é algo praticamente impossível. Carros estacionados nas calçadas, buracos, falta de semáforos em travessias, falta de estrutura e sinalização. Para quem precisa de cuidado especial, tudo isso transforma uma simples saída em uma aventura nada agradável.

No imaginário da maioria das pessoas, a cegueira ou deficiência visual é algo distante e incomum. Mas, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), essa premissa não é verdadeira. No mundo existem 50 milhões de cegos e no Brasil são cerca de 1,4 milhões. Ainda de acordo com o CBO, 90% dos casos de cegueira ocorrem nas áreas pobres do mundo, sendo que 60% são evitáveis e em 20% deles a visão pode ser recuperada.

As dificuldades transpõem as barreiras físicas. Além de tudo isso, os deficientes visuais enfrentam preconceito e falta de apoio governamental. Daniela Kovacs, Marcos Leandro e Daniel Sisti, servidores da Justiça do Trabalho, já enfrentaram muitos desafios como esses, mas hoje convivem com a deficiência visual de maneira mais tranquila. Além de conquistarem um lugar no serviço público, eles possuem a ajuda de um cão-guia para a locomoção no dia a dia tão complicado que enfrentam.

Conseguiram esse facilitador, o cão-guia, por meio do Projeto Cão-Guia desenvolvido pelo Instituto IRIS de Responsabilidade e Inclusão Social. Fundado em 2002 por Tahys Martinez, que também é deficiente visual, e Moisés Vieira Júnior, o IRIS é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com algumas instituições como a ONG, Leader Dogs for the Blind, dos Estados Unidos. O vice-diretor do Instituto, Moisés Vieira Júnior, explica que o “IRIS é voltado a ações que promovam a melhoria de qualidade de vida de pessoas com deficiência. A prioridade institucional é o treinamento de cães-guia para pessoas com deficiência visual com atuação em todo o Brasil”. Vinte e quatro dos cerca de 60 cães -guia em atividade no país são resultado do trabalho conjunto do IRIS e da entidade americana, que é responsável pelo treinamento dos animais.

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O instituto precisa de colaboradores dispostos a ajudar nos custos e que queiram cuidar do cão durante um ano. Cerca de 2 mil pessoas no Brasil estão na fila para receber um cão.
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O próximo passo é montar um centro de treinamentos aqui no Brasil. Para tanto, o instituto precisa de mais colaboradores dispostos a ajudar nos custos e voluntários que queiram cuidar do cão e ensinar-lhes boas maneiras por cerca de um ano. Só após esse período, chamado sociabilização, é que o cão está pronto para o treinamento específico de suas tarefas.

 “Esse papel é essencial para que tenhamos cães-guia saudáveis, trabalhando. Por conta da separação do cão quando ele completa um ano, temos dificuldades em encontrar voluntários. Mas é sempre bom lembrar que ele vai mudar a vida de uma pessoa com deficiência, trazendo independência, segurança e inclusão social”, explica a participante do projeto Daniela Kovacs, que recebeu seu cão, o Basher, em novembro de 2008.

O processo é demorado e tem custo alto. Para se ter uma ideia, cerca de duas mil pessoas no Brasil estão na fila de espera para receber um cão. É comum que o deficiente aguarde até três anos. Segundo Daniela, o Basher,  aproxima as pessoas e faz mudar a atitude da sociedade em relação àquelas que possuem deficiência. “Isso sem falar dos muitos amigos novos que faço nas ruas todos os dias por causa dele”, observa.

Adaptação
O período de adaptação entre o deficiente e o cão também requer atenção. “Passei 25 dias nos EUA para aprender a lidar com o cão, os comandos, e começar a conviver com ele 24 horas”, afirma Marcos Leandro.

Daniel Sisti conta que após o período de adaptação, todo  dia a dupla enfrenta novos desafios. “Após a chegada do Brock pude andar grandes distâncias, o que dificilmente faria com a bengala numa grande cidade como São Paulo, com muitas saídas e entradas de garagens, buracos por toda parte e pessoas mal intencionadas”.

É lei
O Instituto IRIS ainda luta contra outro preconceito: a aceitação dos cães em lugares públicos, como shoppings, bares, restaurantes. O servidor Marcos Leandro lembra que o cão-guia é treinado, portanto, nunca será agressivo, não ataca ninguém e não faz as necessidades fora dos horários de costume. “É importante tentar diminuir o máximo possível, o preconceito que há entre os taxistas e condôminos, contra os cães-guia. Em alguns casos, querem que a gente use o elevador de serviço”, frisa.

 

Foto: SXC  

Inúmeras pessoas não sabem da existência de uma lei que assegura o direito ao deficiente visual transitar com seu cão-guia em qualquer lugar. É a Lei nº 11.126 de junho de 2005. Em seu primeiro artigo estabelece: “É assegurado à pessoa portadora de deficiência visual usuária de cão-guia o direito de ingressar e permanecer com o animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo”. Ainda de acordo com a lei, constitui discriminação a ser aplicada multa, qualquer manifestação contrária a transitação do cão-guia pelos locais públicos.

O outro lado
Silvio Lemos também é servidor da Justiça do Trabalho, está inscrito no Instituto IRIS a cerca de um ano e aguarda o recebimento do cão-guia. Lotado no TRT de Mato Grosso do Sul, no setor de atermação, ele conta que apesar dos pequenos obstáculos do dia a dia, o deficiente visual consegue viver com certa independência graças aos recursos tecnológicos disponíveis hoje. Programas de computadores que leem a tela e sintetizam a voz, celulares, relógios e calculadoras que “falam” fazem parte de sua vida.

“A maior dificuldade enfrentada é a  falta de sensibilidade e incompetência  das autoridades, que não colocam em prática as políticas públicas de acessibilidade. Grande parte das ações ainda fica somente no papel, o que é lamentável”, diz.

Ele conta com a ajuda da esposa,  familiares e amigos sempre que preciso, principalmente para deslocamento em ambientes desconhecidos. “Mas em locais onde estou acostumado, como no prédio do Tribunal ou no condomínio onde moro, ando sozinho e sem bengala, pois já me adaptei bem a esses espaços físicos”.

Serviço: Instituto Íris de Responsabilidade e Inclusão Social . Site: www.iris.org.br / E-mail: iris@iris.org.br

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