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Jogo duro com grevistas

11/06/2007 00:00 | Fonte:

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O governo promete endurecer nas negociações com cerca de 100 mil servidores públicos em greve. Além de lidar com um cobertor orçamentário curto, e cada vez mais salgado no quesito despesa com pessoal, cita os reajustes concedidos no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reduziram a diferença entre os salários mais altos e mais baixos de 18 para nove vezes, segundo o Ministério do Planejamento.

O Orçamento da União deste ano prevê gastos com servidores de R$ 118,1 bilhões, dez vezes mais do que o montante reservado para investimentos. Entre 2003 e 2006, aumentos superiores a 170% concedidos para "carreiras de Estado" transformaram cerca de 40 mil servidores do Poder Executivo na elite do serviço público federal - desconsiderando-se o Judiciário e o Legislativo - com salários iniciais entre R$ 8 mil e R$ 10 mil mensais, que podem chegar a R$ 15 mil no final da carreira.

Se considerados salários iniciais acima de R$ 6 mil, o número de funcionários no topo da pirâmide sobe para mais de 100 mil. Na base do grupo de 900 mil servidores do Executivo, no entanto, ainda existem pessoas que ganham menos do que R$ 1 mil mensais. É o caso de 400 auxiliares técnicos do Ministério de Ciência e Tecnologia, cujo salário é de R$ 800,92 por mês. Já a grande maioria recebe entre R$ 1 mil e R$ 2 mil.

Além de aumentar os salários mais altos, o governo também deu reajustes que chegam a 500% para a turma do andar de baixo, como os servidores das universidades federais e do Ibama.

- As tais defasagens históricas que os servidores alegam só existem se forem da época de Pedro Álvares Cabral - reclamou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. - A inflação está em 3%, e eles vêm com reivindicações entre 20% e 30% de aumento.

Para a professora Danielle Santi, da Universidade de Brasília (UnB), as carreiras de Estado devem mesmo ser bem remuneradas porque são peças-chave no combate à corrupção, na cobrança de tributos e na repressão ao crime organizado. Danielle destacou, no entanto, que salários iniciais muito altos podem desestimular as pessoas a lutarem para melhorar e aumentar a produtividade. No serviço público, a diferença média entre o salário inicial e o de final de carreira fica baixo de 30%.

Já no setor privado, segundo especialistas, a diferença média é de 82%.

-É preciso bom senso ao estabelecer as políticas salariais, que devem ser compatíveis com as da iniciativa privada- disse Danielle.

Segundo a professora, o congelamento de salários no governo passado e a memória inflacionária da população são responsáveis, a cada ano, pela corrida das diversas categorias por mais reajustes. Na maioria dos casos, alega, as reivindicações carecem de base técnica, já que a inflação está baixa e o governo Lula já concedeu aumentos generalizados.

- Ao que parece, há um resquício de trauma dos funcionários públicos em relação ao governo anterior, que congelou os salários. Isso faz com que os servidores, de tempos em tempos, queiram mais aumentos, ocasionando um efeito dominó - declarou a professora. - O que tem de ser observado, ao reivindicar mais aumentos, é se o poder de compra e a qualidade de vida estão assegurados.

Os delegados da Polícia Federal, que acabam de fechar com o governo um acordo para um novo reajuste de 30%, que será dado de forma fracionada até 2009, têm o maior salário do Executivo: inicial de R$ 10.800,00 mensais e de R$ 15 mil ao final de carreira. Como a recomposição dos salários da PF começou ainda no governo Fernando Henrique, na gestão Lula o reajuste da categoria, descontada a nova negociação, foi só apenas 38%.

Gestores, analistas de orçamento, analistas de comércio exterior, procuradores federais, entre outros, tiveram os maiores reajustas das carreiras, de 174%. Aumentos superiores a 150% beneficiaram, por exemplo, carreiras jurídicas.

Fonte: JB Online
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